Cultura do caféCafé

Cultura

O cafeeiro é uma planta de porte arbustivo de 2 a 4 m de altura, de crescimento contínuo, pertencente à família Rubiaceae a qual abrange mais de 10 mil espécies agrupadas em mais de 600 gêneros.

O gênero Coffea tem duas principais espécies: Coffea arábica L. (arábica) e o Coffea canephora (Conilon/Robusta), as quais são cultivadas, para fins comerciais.

Histórico

O cafeeiro tem como origem as montanhas da Etiópia.

Conta-se que pastores de ovelhas da Etiópia observaram que elas ficavam mais ativas quando comiam as folhas e frutos do cafeeiro. Observando isto, começou-se a fazer infusões com os frutos, que quando bebidas aumentavam a vivacidade e espantava o sono. A partir daí esta bebida começou a se popularizar, inicialmente no mundo árabe e nos séculos XIV e XV foi introduzida na Europa, iniciando pela Itália. Na época das grandes navegações o cafeeiro chegou na América, inicialmente na Central e por volta dos anos 1700 chegou ao Norte do Brasil e depois ao Rio de Janeiro e São Paulo. A partir de meados do século 18, o café já representava uma significativa fonte de renda para o Brasil, tendo o estado de São Paulo como um grande produtor na época.

Grão de café em plantação irrigada pelos produtos NaanDanJain

Clima

O cafeeiro é uma planta de clima tropical úmido com temperaturas amenas. A temperatura ideal para seu desenvolvimento é de 18° a 22°C, não suportando geadas e com desenvolvimento muito prejudicado em temperaturas acima de 30°C, dado este válido para as variedades de Arábica.
Déficit hídrico antecedente à florada, não prejudica o cafeeiro e pode até ser benéfico.

Plantio: solo e espaçamentos

Solo bem drenado deve ser o escolhido para o plantio.

Solos ricos em húmus, levemente ácidos são os mais propícios para o desenvolvimento da planta.

Declividade superior a 15% inviabiliza a mecanização.

Na definição do espaçamento de plantio devem ser levados em conta: a forma de colheita (mecanizada ou manual), a topografia, o tamanho da área plantada e os períodos entre podas. Plantios mais densos de 5.000 a 8.000 plantas por hectare para Coffea arabica (2,5 x 0,8m a  2,0 x 0,65m) proporcionam maiores produtividades.. Caso os tratos culturais e a colheita sejam mecanizados, o espaçamento entre linhas de  plantas deve ser adequado ao implemento. Espaçamentos entre plantas de 0,8m têm se mostrados superiores em termos de produtividade. Os espaçamentos tradicionais são 0,7 a 0,8 m entre plantas e 3,0 a 3,5 metros entre linhas.

Para o café conilon os espaçamentos variam de 1,5 a 2,0m entre plantas e 3 a 4 metros entre linhas de plantas. Plantios adensados com até 5.000 plantas por ha mostram excelentes produtividades quando a nutrição é bem balanceada.

A média de produtividade brasileira tem aumentado em média 10% ao ano desde o ano 2000, estando hoje (safra 2013) em 24,4 sacas de café beneficiado por ha, com a área plantada variando pouco nestes 13 anos analisados: 2 a 2,3 milhões de hectares.

Este incremento de produtividade é devido a vários fatores, dentre eles: otimização de espaçamentos, nutrição melhor equilibrada e irrigação.

Plantação de cultura de café

Nutrição

Quebrando o paradigma de que cafeeiro não responde à aplicação de fósforo no solo em sua fase de produção provavelmente devido ao fato do fósforo ser um dos nutrientes menos exportados pelo cafeeiro, adubações anuais com 200 a 300 kg de P2O5 mostram aumentos expressivos de produtividade (Tiago Reis).

Outros macros e micro nutrientes são necessários e de forma balanceada, Lembrar-se da lei do mínimo ou de Liebig a qual preconiza que a produção vegetal está limitada pelo elemento essencial de menor nível. Análises de solo e foliares são importantes para balanceá-los.
O parcelamento de fertilizantes deve ser previsto levando em conta as necessidades da planta. Os nutrientes solúveis e compatíveis com a água podem e devem ser veiculados com a água de irrigação por gotejamento. Este procedimento permite melhor aproveitamento do fertilizante, com custo de aplicação muito reduzido.

Características fisiológicas da cultura

Diferentemente dos cítricos que diferenciam a mesma gema para ramo ou flor dependendo do estado de estresse da planta, a gema da planta Coffea arábica L. tem a gema da flor formada anteriormente.

O estresse hídrico do cafeeiro tem como finalidade a máxima uniformização possível da florada, visando à uniformidade da produção no momento da colheita.

Podas devem ser previstas, pois como a flor só se forma em ramos do ano, com o passar dos anos a planta torna-se excessivamente grande, entrelaçando com as plantas vizinhas, reduzindo a produtividade. Melhores resultados têm sido obtidos com podas efetuadas logo após o final da colheita.

Necessidade de irrigação

A irrigação aliada ao fornecimento de fertilizantes corretamente balanceados propiciam aumento de 66% a 123% na produção, quando comparado com cafeeiros não irrigados (Antunes). De acordo com Mantovani (2003) a irrigação em plantas de café é recomendada para a maioria das regiões produtoras de café do Brasil.

A falta de água após a florada causa o abortamento das flores e na época de granação prejudica o enchimento dos grãos, reduzindo a renda e a produção. A formação de gemas florais para a próxima produção também é prejudicada pela falta de água.

A irrigação deve iniciar após a florada e prolongar até o início do estresse que antecede a próxima florada, sempre que houver déficit hídrico no solo.
A irrigação por gotejamento em cafeeiros tem se mostrado a mais eficiente, não só pela racionalização no uso de água e de energia, mas também por não propiciar ambiente com alta umidade relativa o qual favorece o desenvolvimento e propagação de doenças. Pode ser instalada em qualquer topografia ou formato de área. A distribuição de fertilizantes de forma precisa e parcelada é também um dos grandes benefícios deste método de irrigação.

Resultados obtidos com irrigação

Comparativamente café sem irrigação, irrigado e fertirrigado, as produções foram de 35, 58 e 78 sacas/ha, respectivamente (Antunes 2000).

Inúmeros outros trabalhos efetuados sobre irrigação de cafeeiros e os próprios irrigantes comprovam a viabilidade econômica da irrigação.

Os benefícios paralelos da irrigação por gotejamento: distribuição de fertilizantes, aplicação de defensivos sistêmicos de solo, baixo custo de mão de obra de operação, otimização do recurso hídrico, baixa potência instalada comparado com outros métodos de irrigação pressurizados, também devem ser levados em conta no momento da decisão de compra do sistema de irrigação.

Casos de Sucesso

Dados Técnicos