Alcançar a rentabilidade esperada na produção agropecuária, depende diretamente da produtividade agrícola obtida. A diluição dos custos fixos e o ganho de escala, são os principais objetivos dos produtores que utilizam as melhores praticas agronômicas, os melhores maquinários, os melhores agroquímicos e as melhores genéticas. No entanto, o ambiente frequentemente interfere nesta atividade e devido ao déficit hídrico a produtividade esperada não é alcançada. Neste contexto, o uso da irrigação, se mostra como uma ferramenta fundamental para reduzir os riscos ambientais e potencializar ainda mais as boas práticas agrícolas, culminando em produtividades e rentabilidades muito superiores às verificadas nos cultivos de sequeiro.

Bem manejada, a irrigação apresenta bons resultados mesmo em regiões onde acredita-se que o volume de chuvas seja elevado, “nestas regiões, a irrigação funciona como um seguro, faltou chuva, a irrigação é acionada” afirmou Carlos Barth, responsável pelo suporte agronômico da NaanDanJain. Outro aspecto importante da irrigação é a possibilidade de fertirrigar,“aumentamos a eficiência dos fertilizantes aplicados ao cultivo, pois reduzimos as doses e aumentamos a frequência das aplicações, reduzindo a salinização do solo, a lixiviação  é possível selecionar o nutriente requerido em cada fase do cultivo não tendo praticamente custo de aplicação, pois este fertilizante é veiculado pela água de irrigação” completa o especialista da NaanDanJain.

Outro ponto relevante, sempre que tratamos da agricultura irrigada, é o dilema: escassez de água versus aumento da produção de alimentos. Sobre esse tema há um consenso: a agropecuária que tem a responsabilidade de dobrar a produção nos próximos 30 anos para alimentar uma população global crescente e precisa de soluções para colher mais usando cada vez menos água. Mais do que qualquer outro usuário, o agricultor sabe quanto vale cada gota d’água.

Quem vive da terra, e por que não falar, da água, sabe que se trata de um insumo precioso e essencial às atividades do campo e que seu uso racional faz o produtor de alimentos se transformar em dependente da água. Hoje uma nova unidade que que surge no campo é produtividade x m³ de água

O uso sustentável, eficiente e racional da água através do uso de tecnologias de irrigação permitem, acima de tudo, a possibilidade de fazer a gestão dos recursos hídricos na propriedade e de controlar a produtividade por esta nova unidade: kg/ m3 de água, permitindo extrair o máximo potencial produtivo das culturas.

Investir em sistemas que proporcionam economia de água e consequentemente energia elétrica já deixaram de ser opcional para boa parte dos produtores em diversas partes do mundo. A recente Portaria do Inema Nº 19.452 de Outubro de 2019, é um dos bons exemplo: Estabelece a implantação de sistemas de medição para monitoramento dos usos e intervenções em recursos hídricos no Estado da Bahia com o objetivo de qualificar e reforçar a fiscalização dos recursos outorgados e também ter mais controle do uso desses recursos, permitindo o aprimoramento das ações de gestão, tanto nos períodos de estiagem como nos períodos onde a disponibilidade hídrica é superior aos períodos críticos. Atualmente os parâmetros para outorga se baseiam na mínima disponibilidade histórica, impossibilitando o uso deste recurso em períodos onde ele está mais disponível. Ser excessivamente restritivo é o mecanismo necessário quando se precisamos gerenciar algo com poucos dados.

Nesse sentido, o uso racional da água através de sistemas de irrigação com alta uniformidade de aplicação, manejo eficiente da operação e efetivo controle dos volumes captados, pode abrir ser uma importante ferramenta de aumento da disponibilidade de água para a outorga. A outorga sazonal e o gerenciamento instantâneo dos recursos hídricos, quando realizados com excelência trazem ganhos econômicos, sociais e ambientais.

Conforme explicado por Leandro Lance, gerente de desenvolvimento de mercado da NaanDanJain, o uso dos medidores de vazão, também são fundamentais para realizarmos diagnósticos técnicos nos equipamentos de irrigação, facilitando a identificação de falhas permitindo que a manutenção seja mais rápida e com menor custo.

Dentre os possíveis diagnósticos possíveis de serem realizados através dos medidores de vazão, hidrômetros, podemos destacar:

– Existência de vazamentos nas tubulações, facilmente identificados pela elevação repentina da vazão.

– Problemas no bombeamento, como desgaste de rotor ou alteração na curva (pressão x vazão) projetada

– Identificar problemas na qualidade da energia elétrica no bombeamento: baixa voltagem gera aumento de corrente elétrica sem alterar a vazão projetada

– A elevação da vazão pode indicar também, o início de entupimento em sistemas de irrigação por gotejamento autocompensante, permitindo assim a realização precoce das manutenções com a aplicação de cloro e ácidos, corrigindo com elevada eficiência esses problemas

– Redução de vazão pode indicar obstrução de emissores não autocompensados

– Alteração de vazão mostra uma desuniformidade de aplicação de água no campo, por parte dos emissores e consequente desuniformidade de aplicação de nutriente na fertirrigação

– A identificação precoce do aumento de vazão pode inclusive evitar que poços artesianos colapsem por excesso de vazão, fato observado com grande recorrência.

 

Aplicação de água no momento certo e na quantidade certa, através de equipamentos de elevada eficiência, com certeza irão gerar economia de água e energia elétrica. O uso de instrumentos para medição do volume de água, fazem com que haja maior gestão dos recursos hídricos, eliminando a insegurança que hoje vem preocupando e impactando os produtores rurais.

Ainda há muito a ser feito, mas com a disponibilidade de ampla gama de tecnologias e produtos disponíveis no mercado, o monitoramento das demandas hídricas pode ser realizado com grande precisão, em tempo real e com transmissão e disponibilização dos dados na internet possibilitando assim uma gestão integrada e sistematizada, garantindo que, a eficiência do uso da água possibilite promover a expansão de áreas agrícolas, pois na medida em que seja utilizada eficientemente a irrigação, novas áreas surgem como aptas para a agricultura tecnificada.